E se a vida fosse genuinamente sórdida, brutal e breve porque, no estado de natureza (expressão com a qual nos referimos à maior parte da história humana antes do surgimento de governos e Estados) — diante da alternativa entre “meios econômicos” (apropriação original, produção e troca voluntária) e “meios políticos” (apropriação fraudulenta ou violenta da riqueza alheia). muitos ou a maioria escolhesse o atalho da violência e da fraude para lidar com um mundo de recursos escassos? Ora, o que um bruto faria para tornar suas atividades criminosas mais eficazes e seguras? A primeira resposta é que ele recorreria a uma rede de alianças e construiria uma organização de criminosos. O ladrão primitivo solitário, que golpeava a cabeça de seus semelhantes para roubar seus ossos de mamute, só podia contar com uma eficácia limitada. A idade, o encontro com brutos mais fortes e o simples azar poderiam tornar seu empreendimento criminoso arriscado demais. É por isso que a primeira resposta às condições imaginadas por Hobbes teria sido uma aliança entre brutos.
divisão do trabalho é moralmente neutra. Ela é um multiplicador de eficiência, independentemente de onde seja aplicada — seja na produção de calçados ou na produção do crime. Um único bandido é um incômodo. Uma hierarquia de bandidos — com olheiros, executores, contadores e uma cadeia de comando — constitui uma economia de predação; e economias de predação, assim como economias de produção, beneficiam-se da especialização. Portanto, se aceitarmos a premissa de que os seres humanos, entregues a si mesmos e às suas inclinações naturais, recorreriam à violência e à fraude, então o primeiro passo após o início da guerra de todos contra todos seria a formação de organizações criminosas. Sob a proteção delas, os indivíduos nefastos que compõem o quadro sombrio da humanidade primitiva traçado por Hobbes teriam desfrutado da segurança do grupo e da maior eficiência do crime organizado — o qual triunfa pela mesma razão que a indústria organizada triunfa. Hobbes enxergou a guerra; o que lhe escapou foi que seus piores protagonistas nunca foram indivíduos caóticos, mas sim instituições estabelecidas.
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DUTV Interessante essa argumentação (Acho que a classificação mais correta seria de estado e não de nação) Nação é povo e povo são pessoas que possuem laços culturais e históricos e compartilham cultura, língua e religião (maior parte das vezes) em comum Fico…