Forwarded from Raphael Machado
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Chegou a inevitável hora da partida.
Visitei o Chile pela primeira vez, e mesmo sendo um país pequeno (do ponto de vista brasileiro) há muito que se dizer, apesar de haver ainda muita coisa que ver.
Em primeiro lugar, sobre impressões gerais, é muito fácil reconhecer no povo chileno um povo-irmão. Sim, com suas especificidades, mas nós brasileiros conhecemos bem as "especificidades", afinal cada rincão do Brasil tem a sua natureza. O Chile, porém, mesmo não tendo fronteira física conosco, compartilha da "fronteira" existencial de jazer no "Extremo Ocidente", com raízes ibéricas semelhantes, valores e crenças muito próximas, uma síntese racial singular, a presença viva de mitos e lendas no quotidiano, paisagens mágicas e misteriosas nas regiões mais distantes do centro civilizacional, uma relação semelhante com a "boa vida" e o ócio.
Tive ali, sendo brasileiro, a sensação de ser um visitante não de "outro mundo", mas apenas de uma província longínqua do mesmo Império, sendo facilmente compreendido mesmo quando misturava português com meu espanhol.
Estou convencido de que o Brasil deve olhar para o Oeste, mais que para o Atlântico, tal como o Chile e nossos outros vizinhos devem olhar mais para o Brasil, que apesar de insistir em permanecer de costas, ainda é visto como uma referência e uma influência significativa, mesmo quando os brasileiros não fazem a menor ideia disso.
Estou convencido também da necessidade de que os brasileiros aprendam a história e o pensamento nacional do Chile e dos outros países da região, tanto pelas semelhanças impossíveis de ignorar quanto pela possibilidade de inspiração. Tal como devemos apresentar e levar para o Chile e outros países da região as obras e ideias de Gilberto Freyre, Oliveira Viana, Celso Furtado, Plínio Salgado, etc.
Quanto às relações pessoais, foi uma honra e um prazer estabelecer ou reforçar laços de camaradagem do outro lado do continente, entre gente com as quais podemos nos sentir "em casa", posto que nossa pátria, derradeiramente, é a "Pátria do Espírito", e entre os dissidentes somos todos conterrâneos. Faço menção especial à honrosa oportunidade de conhecer os membros e colaborar com a revista Ciudad de los Césares, autêntica trincheira da luta intelectual e cultural em nossa parte do mundo ao lado da qual pretendo continuar combatendo, também de finalmente encontrar pessoalmente os camaradas da organização Práxis Pátria, que eu já conhecia virtualmente há vários anos, bem como travar conhecimento pela primeira vez dos membros da organização Kren, com os quais espero seguir em contato.
Oculto e protegido pelos Andes, como a tolkieniana Gondolin, jaz uma terra místico que, qual bandeirantes do espírito, nós brasileiros precisamos desvelar.