"Mas dizer que o consentimento do grupo mais forte ou do grupo mais numeroso, numa nação, é justificativa suficiente para o estabelecimento ou manutenção de um governo que deva controlar toda a nação, não alivia a dificuldade. A questão ainda permanece, como tal coisa como uma “nação” passa a existir? Como é que milhões de pessoas, dispersas num território extenso – cada uma dotada naturalmente com liberdade individual; obrigadas pela lei da natureza a não chamarem outro homem ou grupo de mestres; autorizados por aquela lei a procurar sua própria felicidade a sua própria maneira, a fazer o que quiserem consigo mesmo e sua propriedade, conquanto não ultrapassem a igual liberdade de outros; também autorizados por aquela lei, a defenderem seus direitos, e corrigir seus erros; e a ir em assistência e defesa de qualquer um de seus companheiros que estejam sofrendo algum tipo de injustiça – como é que milhões dessas pessoas se tornam uma nação em primeiro lugar? Como é que cada uma delas passa a ser desprovida de seus direitos naturais, dados por Deus, para serem incorporadas, compactadas e consolidadas numa massa com outros homens, os quais nunca viu; com os quais não possui contrato; e para com os quais não possui sentimentos exceto medo, ódio ou desprezo?
Como ele se torna sujeito ao controle de homens como ele, que, por natureza, não possuem autoridade sobre ele; mas que lhe comandam a fazer tal coisa, que lhe proíbem de fazer outra, como se fossem seus soberanos, e ele seu súdito; e como as suas vontades e interesses daqueles fossem os únicos padrões para seus deveres e direitos; e que lhe obrigam a se submeter sob o perigo de confisco, prisão e morte?..
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