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ARMILLARY - Notícias e Geopolítica ARMILLARY - Notícias e Geopolítica @armillary · 13.5K subscribers
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O arranjo que nos governa esgotou-se em todos os sentidos. Não há mais volta. Não há mais remendo. Não há mais reforma capaz de ressuscitar aquilo que já morreu por dentro.

Não falo de um episódio isolado de nossa história. Não falo de um governo específico, de um partido específico ou de uma única crise. Falo de um Estado que nasceu deformado, cresceu deformado e se consolidou como a própria engrenagem da opressão. Um Estado que, incapaz de se regenerar e corrigir seus erros, parte agora para uma espécie de autofagia seletiva: sacrifica algumas de suas próprias peças para simular renovação, enquanto criminaliza aqueles que ousam dizer, em voz alta, aquilo que todos já enxergam.

E o que todos enxergam?

Instituições ocas. Instituições que nunca representaram o povo, que já não representam sequer aqueles que deveriam servi-las e que, cada vez mais, existem apenas para preservar a si mesmas. Instituições que transformaram a legalidade em verniz, a Constituição em decoração inútil e a autoridade em instrumento de autopreservação.

Que espécie de contrato social ainda existe quando o cidadão deixa de confiar nas instituições que deveriam protegê-lo? Que espécie de República é essa quando as regras são aplicadas seletivamente, quando o poder se protege com o próprio poder e quando a liberdade passa a ser tratada como concessão daqueles que governam?

A Constituição perdeu sua eficácia real. O contrato social foi rompido. E fingir que não foi é apenas prolongar a mentira.

A chamada Nova República jamais teve pais fundadores. Teve padrastos.

Homens que assumiram a tutela do país sem a grandeza necessária para reconstruí-lo; sem a elevação moral necessária para limitar o próprio poder; sem a responsabilidade histórica necessária para compreender que uma República não se constrói para servir aos seus governantes, mas para submetê-los às regras que protegem os governados.

O resultado está diante de nós.

Corrupção institucionalizada. Privilégios transformados em rotina. Poder concentrado. Responsabilidades diluídas. E um cidadão permanentemente obrigado a assistir, impotente, ao espetáculo de sua própria submissão.

E por que alguém deveria se surpreender?

O fruto não cai longe da árvore.

A própria estrutura do Estado brasileiro foi moldada para permitir exatamente isso. Aqueles que construíram o sistema compreenderam muito bem como fazê-lo funcionar em benefício próprio. Criaram mecanismos de proteção, acomodaram interesses, distribuíram privilégios e ergueram estruturas suficientemente complexas para que ninguém pudesse facilmente responsabilizar ninguém.

Não foi acidente. Não foi acaso. Não foi incompetência.

Foi método.

E, dentro desse mecanismo, existem hoje peças fundamentais — Lula, Gonet, Alexandre de Moraes, Alcolumbre, Andrei Rodrigues et caterva — que sustentam partes essenciais do aparato.

Não são o sistema inteiro. Evidentemente, não são.

Mas são engrenagens relevantes de uma máquina muito maior: uma máquina que se alimenta de poder, protege seus operadores e reage violentamente quando alguém ameaça interromper seu funcionamento.

Por isso, a remoção dessas figuras é urgente e inadiável.

Mas seria ingenuidade acreditar que basta substituí-las.

Não basta trocar os operadores se a máquina continua intacta.

Não basta mudar os nomes se os mecanismos permanecem.

Não basta substituir rostos se as estruturas continuam de pé.

É preciso ir além. É preciso desmontar os instrumentos utilizados para perpetuar esse estado de coisas. É preciso remover as barreiras que impedem a responsabilização, destruir os mecanismos de autoproteção e reconstruir as instituições sobre bases que efetivamente submetam o poder à lei.

Porque, se a própria estrutura impede a justiça, quem ainda pode honestamente afirmar que basta esperar que a justiça seja feita?

Diante desse cenário, a alternativa verdadeiramente menos traumática é a desobediência civil: a recusa serena, consciente, organizada e persistente em continuar legitimando aquilo que se tornou, na prática, irreformável por dentro.
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